Ultimamente, o Rio de Janeiro registrou altas temperaturas, o que levou muitas pessoas a um grande desconforto e indisposição. De acordo com a Organização Meteorológica Mundial, a previsão é de que as ondas de calor extremo sejam cada vez mais comuns devido às mudanças climáticas. A questão é que as altas temperaturas podem agravar sintomas de doenças cardíacas, como dor no peito, falta de ar e sensação de desmaio. O cardiologista Felipe Cosentino, coordenador da nossa Unidade Cardio Intensiva, explica que “o calor excessivo pode levar à desidratação, aumento da viscosidade sanguínea e do risco de trombose, disfunção endotelial e sobrecarga cardíaca devido à vasodilatação compensatória e à elevação da frequência cardíaca”.

“Pacientes com cardiopatias devem ter um plano de ação para períodos de calor intenso, incluindo estratégias para resfriamento corporal e um contato rápido com profissionais de saúde caso surjam sintomas de descompensação”, alerta o coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva, Felipe Cosentino.
Os principais sinais de alerta incluem falta de ar que não melhora com repouso; dor torácica; tontura ou desmaio; palidez; palpitações intensas; edema de membros inferiores; sudorese fria ou excessiva acompanhada de fraqueza intensa e queda da pressão ao se levantar. Tratam-se de sinais que podem indicar descompensação cardiovascular e exigem avaliação médica imediata. “Os sintomas de um evento cardíaco iminente são mais intensos e persistentes do que aqueles sentidos em uma onda de calor, como sudorese, fadiga e tontura leve, que geralmente melhoram ao se hidratar e se resfriar. A presença de fatores de risco cardiovasculares deve aumentar o nível de alerta”, adverte o médico.
Cosentino alerta que a desidratação também pode causar hipotensão e taquicardia compensatória, sobrecarregando o coração. Para evitar o problema, o ideal é consumir água e bebidas isotônicas para manter o equilíbrio eletrolítico e evitar bebidas alcoólicas e cafeinadas. Ele frisa ainda que em períodos de calor extremo, pode ser necessário ainda o ajuste de algumas medicações, especialmente diuréticos, betabloqueadores e inibidores da enzima conversora de angiotensina (ECA). “Os diuréticos podem aumentar o risco de desidratação e hiponatremia, enquanto os betabloqueadores podem reduzir a resposta compensatória ao calor. Importante lembrar que esta mudança na medicação deve ser feita sempre pelo cardiologista, com monitoramento dos sinais clínicos e laboratoriais”, orienta ele.
O calor afeta não apenas o corpo, mas também a mente. O cardiologista recomenda que “pacientes com cardiopatias devem ter um plano de ação para períodos de calor intenso, incluindo estratégias para resfriamento corporal e um contato rápido com profissionais de saúde caso surjam sintomas de descompensação. É fundamental a conscientização sobre os riscos e a adoção de medidas preventivas para evitar complicações graves”.
O profissional recomenda a adoção de sete atitudes que os cardiopatas devem ter durante períodos de calor intenso para prevenir complicações e evitar a sobrecarga térmica:
- Mantenha-se hidratado, mesmo sem sede;
- Ajuste a dieta, evitando alimentos muito salgados. Faça refeições leves e fracionadas;
- Evite exposição ao sol e atividades físicas em horários mais quentes. A prática regular de exercícios deve ser realizada em condições controladas para melhorar a tolerância cardiovascular ao calor;
- Use roupas leves e tecidos que facilitam a transpiração;
- Evite mudanças bruscas de temperatura (como entrar em um ambiente muito gelado após exposição ao calor extremo), fazendo uma adaptação progressiva;
- Mantenha ambientes ventilados;
- Monitore a pressão arterial e os sinais de descompensação e controle rigorosamente os fatores de risco cardiovasculares (hipertensão, diabetes, dislipidemia). Faça consultas periódicas no cardiologista para monitoramento e ajustes terapêuticos.