Desconforto físico, impacto na rotina e até na autoestima. Essas são consequências de um problema que afeta cerca de 10 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU): a incontinência urinária, caracterizada pela perda involuntária de urina. A situação afeta tanto homens quanto mulheres e acaba tendo reflexo na autoestima, na saúde mental e na rotina diária, já que atividades simples, como trabalhar, praticar exercícios ou até mesmo sair de casa, acabam se tornando desafiadoras.
“A doença é mais prevalente nas mulheres do que nos homens. As estatísticas mostram que mais de 10% das mulheres adultas apresentam algum tipo de incontinência. Entre aquelas com mais de 70 anos, mais de 40% têm algum grau de incontinência urinária”, afirma o urologista do nosso hospital, Celso Dantas.
O especialista frisa que falar sobre o assunto é imprescindível para que as pessoas que sofrem com esse incômodo saibam que é possível curar a doença. “A perda urinária impacta demais na vida das pessoas. Muitos pacientes deixam de sair de casa com medo de se urinar, evitam dormir na casa de alguém ou mesmo em um hotel ou até mesmo ir ao teatro. A doença torna tudo difícil e muitos pacientes desenvolvem até quadros graves de depressão”, aponta o nosso especialista, que é membro da Sociedade Brasileira de Urologia.
“A boa notícia para os pacientes é que, a cada dia, chegam novos medicamentos que estão melhorando de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes”, diz o médico.
Tipos de incontinência

“A perda urinária impacta demais na vida das pessoas. A boa notícia para os pacientes é que, a cada dia, chegam novos medicamentos que estão melhorando de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes”, aponta nosso urologista, Celso Dantas.
O médico explica que a incontinência urinária em homens acontece principalmente devido à compressão da próstata sobre a bexiga, que leva a um quadro de bexiga hiperativa, que se caracteriza por urinar várias vezes em pequenos volumes, acordar diversas vezes para urinar em pequenos volumes e vontade incontida de urinar que, por vezes, pode culminar em incontinência de urgência. “Também pode haver alguma obstrução, que faz o homem urinar com jatos fracos, e a incontinência por transbordamento, que é quando a bexiga não é esvaziada por um longo período e a urina começa a gotejar”, explica Dantas.
No caso das mulheres, a doença se manifesta geralmente de duas maneiras: incontinência urinária de esforço, por exemplo, ao rir, espirrar, tossir ou ao fazer algum esforço físico, como levantar peso, e também por bexiga hiperativa, conhecida como incontinência de urgência. Algumas mulheres podem ter ainda a incontinência mista, que reúne características das duas citadas anteriormente.
O diagnóstico da incontinência é feito por meio da urodinâmica completa, exame que permite a avaliação do trato urinário inferior. “A partir do resultado, o especialista vai definir o melhor tratamento para cada caso. Por exemplo, mulheres com incontinência urinária de esforço terão que passar por cirurgia para a colocação de sling, que aumenta a resistência uretral e reduz a perda de urina. Outra opção é a cirurgia de reforço do assoalho pélvico. Ambas os procedimentos são feitos com frequência no centro cirúrgico do Hospital Badim. Vale destacar a importância da fisioterapia pélvica, que ajuda no tratamento”, diz Dantas. No caso da incontinência de urgência, o tratamento é conservador, por meio do uso de alfa bloqueadores. Em homens, o tratamento é similar, com o uso de medicamentos. “Quando há a incontinência por transbordamento, usamos medicamentos para reduzir o tamanho da próstata e quando o tratamento conservador não tem o resultado esperado, resolvemos o problema de forma cirúrgica”.