O uso seguro de medicamentos exige atenção tanto em casa quanto no ambiente hospitalar. O calor, o armazenamento inadequado, erros de horários e o descarte incorreto podem comprometer a eficácia do tratamento e colocar a saúde em risco. No hospital, protocolos rigorosos, dupla checagem e tecnologia ajudam a prevenir falhas, especialmente com medicamentos de alta vigilância. E em casa, você sabe quais os cuidados necessários? Nossa farmacêutica Elione Paula da Costa traz dicas preciosas para o armazenamento adequado e o transporte seguro de medicamentos.
Medicamentos: os cuidados em casa e no hospital
Medicação boa é aquela bem indicada e administrada corretamente para os cuidados de saúde. Mas tanto em casa quanto no ambiente hospitalar há cuidados a serem tomados para que o planejado pelo médico seja realmente efetivado com sucesso.

Elcione Paula da Costa, farmacêutica responsável pelas farmácias satélites e pelo setor de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME) faz um alerta para o armazenamento e transporte correto de remédios: “Os medicamentos comuns devem ser mantidos no blister ou frasco original, de preferência junto com a bula, principalmente em viagens. Caso a pessoa deseje usar uma caixinha para o transporte, é importante verificar antes se aquele medicamento pode ser retirado da embalagem original”.
O calor feito ultimamente, por exemplo, pode comprometer tanto a eficácia quanto a segurança dos medicamentos. As altas temperaturas podem causar degradação e resultar na falha do tratamento. “Os antibióticos, por exemplo, são sensíveis ao calor e podem ter a sua estabilidade comprometida. É essencial manter os medicamentos em local fresco, seguindo as orientações indicadas na bula do fabricante”, ressalta. Elcione Paula da Costa, farmacêutica responsável pelas nossas farmácias satélites e pelo nosso setor de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), complementando que nos hospitais, a temperatura ambiente é controlada, o que não acontece em casa.
Paula, como ela é conhecida pelos colegas, também chama a atenção para o fato de quem carrega medicamento na bolsa, seja na própria embalagem ou fora dela. “Medicamentos refrigerados, por exemplo, precisam de bolsa térmica para manter a temperatura adequada e evitar exposição ao calor. Já os medicamentos comuns devem ser mantidos no blister ou frasco original, de preferência junto com a bula do medicamento, principalmente em viagens. Caso a pessoa deseje usar uma caixinha para o transporte, é importante verificar antes na bula se aquele medicamento pode ser retirado da embalagem original. Alguns remédios são fotossensíveis e só podem ser retirados no momento de tomar”, ensina ela. Caso não haja recomendações específicas, os remédios podem ser mantidos em caixinhas limpas, com tampas firmes e divisões bem vedadas pelo menor tempo possível – no máximo uma semana. Vale reforçar que devem ser sempre protegidos da luz e do calor.
Outro aspecto importante é o descarte correto quando o assunto é segurança. O ideal é procurar pontos de coleta como drogarias ou unidades de saúde. “Os remédios nunca devem ser jogados no lixo comum, em pias ou no vaso sanitário. Os medicamentos devem permanecer nas suas embalagens originais e os perfurocortantes devem ser descartados em recipientes rígidos. Essa prática evita riscos à saúde e ao meio ambiente”, ensina.
Nossa farmacêutica faz um alerta: “Após a alta hospitalar, a participação ativa do paciente e da família também é fundamental. “É importantíssimo seguir a prescrição conforme orientação profissional e evitar a automedicação, essas são atitudes que fortalecem a segurança”. De acordo com Paula, entre os erros mais comuns em casa estão: o esquecimento de doses, a tomada em horários incorretos, a interrupção precoce do tratamento e o armazenamento inadequado. Segundo a farmacêutica, esses problemas podem ser evitados com organização, uso de alarmes como lembrete para tomada do medicamento e boa comunicação com a equipe de saúde. E uma coisa importantíssima: “Ande sempre com a anotação atualizada dos medicamentos que toma e a dosagem. Isso é fundamental no caso de precisar de um atendimento de emergência. É necessário que o médico que faça o atendimento de pronto socorro saiba quais medicações toma para não haver interação medicamentosa.”
Ambiente hospitalar
Garantir que o remédio certo chegue ao paciente na dose correta e na hora marcada é um dos pilares da assistência hospitalar. A segurança de medicamentos é uma das Metas de Segurança do Paciente, estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). “Seguimos diversos protocolos para garantir a segurança em todas as etapas do processo medicamentoso: prescrição, dispensação, diluição e administração ao paciente, que é a fase final’, conta Paula.
A farmacêutica aponta as falhas mais comuns em hospitais: “Prescrições com letra ilegível, passando por doses incorretas e vias de administração equivocadas ou erros na identificação do paciente estão entre os principais riscos. As consequências podem variar desde o prolongamento desnecessário da internação até eventos graves, incluindo risco de morte”.
Para evitar as falhas, contamos com ações que combinam protocolos e diretrizes padronizados, aplicação de treinamentos permanentes e contínuos, dupla checagem obrigatória e a utilização de estratégias tecnológicas, como rastreamento e bombas inteligentes. “Temos uma rede de barreiras de segurança que envolve toda a equipe multidisciplinar e começa com a prescrição clara e legível pelo médico. O farmacêutico, então, analisa e valida a prescrição e a Enfermagem é responsável por supervisionar a equipe nos processos de dupla checagem e administração”, explica nossa farmacêutica.
Segundo ela, a atenção é ainda maior quando se trata dos chamados medicamentos de alta vigilância, que apresentam uma margem estreita entre a dose terapêutica e a dose tóxica. “São fármacos de ação rápida, que podem causar efeitos adversos graves”, pontua. Um exemplo é a adrenalina, que atua diretamente no sistema cardiovascular e pode provocar arritmias graves, hipertensão severa ou até parada cardíaca, exigindo monitorização contínua do paciente”, afirma. Outro exemplo são os anticoagulantes, que oferecem risco de hemorragias e demandam ajustes rigorosos de dose conforme peso, idade e função renal do paciente.
Para estes medicamentos, há regras específicas: “utilizamos identificação diferenciada, com um alerta visual de que esse medicamento precisa de atenção redobrada. O armazenamento seguro reduz possíveis erros em situações de emergência ou grande pressão e a dupla checagem garante o medicamento para o paciente certo, na dose certa e na via correta”.
Após a alta hospitalar, a participação ativa do paciente e da família também é fundamental. “É importantíssimo seguir a prescrição conforme orientação profissional e evitar a automedicação, essas são atitudes que fortalecem a segurança. Entre os erros mais comuns em casa estão o esquecimento de doses, a tomada em horários incorretos, a interrupção precoce do tratamento e o armazenamento inadequado”, alerta. De acordo com ela, esses problemas podem ser evitados com organização, uso de alarmes como lembrete para tomada do medicamento e boa comunicação com a equipe de saúde.

