O carnaval é só em fevereiro, mas a maior festa popular do mundo já começou, com blocos de rua e ensaios das escolas de samba. A mistura de altas temperaturas, noites mal dormidas, comida de rua e consumo de bebidas alcoólicas pode ser perigosa. O coordenador da nossa Emergência, o cardiologista Lúcio Abreu, reuniu dicas fundamentais para se proteger do calor e da exposição ao sol durante a folia. “A primeira coisa é escolher a vestimenta adequada: use roupas ou fantasias leves, preferencialmente brancas ou de cores claras. Os tecidos sintéticos esquentam muito, então dê preferência aos tecidos de algodão, que permitem a transpiração. Outra coisa muito importante, independente de qual for a sua fantasia, é estar sempre acompanhado de uma amiga fiel: a garrafinha d’água”, recomenda Abreu. Ele aponta uma lista de benefícios de ter sempre uma garrafa de água à mão: “desta forma, você garante que vai poder se manter hidratado, já que na praia ou nos blocos de rua pode não haver fácil acesso à água e a pessoa fica longos períodos sem se hidratar. Além disso, com a sua própria garrafinha, você conhece a procedência da água e se preserva das gastroenterites e até da manipulação de bebidas”. Fechando o combo da proteção, Abreu destaca o uso do protetor solar, que deve ter fator acima de 50 para pessoas com maior sensibilidade e pelo menos 30 para uso normal. “Importante reaplicar o produto a cada 3 horas, para garantir a proteção”, salienta.

Lúcio Abreu, coordenador da Emergência, recomenda o combo do carnaval saudável: roupas leves, uma garrafinha de água sempre à mão e protetor solar fator 50 para quem tem pele sensível e 30 para uso normal.
Pessoas que sofrem de doenças crônicas e acima de 60 anos devem reforçar os cuidados. “É fundamental não deixar de tomar a medicação prescrita pelo médico e manter boa hidratação. Hipertensos devem evitar comidas gordurosas e com muito sal. O ideal é optar por refeições leves, com carne branca e saladas. Pessoas idosas têm a pele mais frágil, então não podem esquecer de usar o filtro solar para evitar o desconforto e lesões mais graves”, orienta ele. O médico recomenda ainda que quem tem alguma patologia e faz uso de remédio deve levar um cartão com as informações básicas. “Leve uma carteirinha informando ‘sou diabético’ ou ‘sou hipertenso’, por exemplo, assim como os nomes dos remédios de que faz uso. Outra opção é incluir as informações no cadastro de emergência disponível nos telefones celulares, para que os profissionais de saúde e bombeiros possam acessar esses dados mesmo que a tela esteja bloqueada, em caso de acidente ou perda de consciência. Essa é uma atitude que pode salvar vidas”, observa.
Turistas
Neste período, a cidade costuma estar cheia de visitantes e nosso coordenador faz um alerta importante. “Os turistas, muitos deles estrangeiros, não costumam ter muita experiência com a exposição ao sol e, quando chegam aqui, encaram temperaturas perto de 40 graus e ficam na praia de 8h da manhã até as 17h. O resultado é que podem ter queimaduras de 2º e até de 3º graus”, afirma. Para se proteger, além do filtro solar, o ideal é usar chapéu, boné e roupas com proteção UV. “A dica é chegar nas primeiras horas da manhã, até as 9h ou só no fim da tarde. A exposição solar fora desses períodos é muito mais agressiva. O uso de barraca protege dos raios solares, mas não da exposição ao calor, que são coisas distintas”, diz.
Mas como saber que é hora de buscar ajuda especializada? O médico explica que um dos primeiros sintomas que acende o sinal de alerta é a sensação de fraqueza, uma sensação vertiginosa, de tonteira e mal-estar. “Muitas das vezes pode surgir uma febre que chega a 37º, 37,5º e uma sensação que chamamos de adinamia, que é caracterizada por cansaço e falta de disposição, uma vontade de ficar quieto, perder a disposição para atividades comuns. Um sinal mais direto de que alguma coisa está errada no organismo é principalmente a diminuição da quantidade da diurese, ou seja, o quanto você vai ao banheiro urinar”, informa. Ele explica que ao se expor ao calor intenso, a pessoa perde muito líquido na transpiração e na perspiração e, quando não há a devida hidratação, isso se reflete na redução da urina. Estes sintomas, segundo o médico, são indicativos de que é hora de procurar a Emergência. “Chegando lá, o médico vai avaliar se é necessário fazer um reforço na hidratação e poderá prestar orientação para que o paciente consiga recuperar o volume adequado de líquidos no organismo e evitar o desenvolvimento de um quadro mais grave”, adverte.
Cuidados dentro de casa
Os cuidados com as altas temperaturas também valem para quem está dentro de casa. “Chamo a atenção para pacientes acamados acompanhados em casa, que precisam de um suporte externo para a hidratação. Os cuidadores devem estar atentos para oferecer água com frequência”. Abreu ressalta que, dentro de casa, essas pessoas podem não estar expostas ao sol, mas, sem refrigeração ou ventilação adequada, o ambiente se torna excessivamente quente, o que pode levar à intermação, em consequência do superaquecimento corporal. “Os cuidadores devem estar atentos: manter os ambientes bem ventilados, deixar os pacientes com uma vestimenta mais leve, se possível, refrigerar o ambiente e oferecer mais líquido para evitar o problema”.

