O verão é um convite para sair de casa. Muitas pessoas buscam atividades ao ar livre para sair do ambiente fechado e curtir a beleza que a cidade oferece. Caminhadas, corridas e esportes na praia ganham espaço na rotina de muitas pessoas. No entanto, as altas temperaturas típicas da estação exigem cuidados extras para que o exercício físico traga benefícios e não prejuízos à saúde. Coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva, o cardiologista José Artur Lopes de Albuquerque alerta para os principais riscos da prática de atividade física sob altas temperaturas: desidratação, queda de pressão, mal-estar, cãibras, exaustão pelo calor, insolação e queimaduras solares. “Em situações mais graves, o calor excessivo pode levar a desmaios, confusão mental e até problemas cardíacos, principalmente se a pessoa não estiver bem hidratada ou exagerar na intensidade do exercício”, adverte ele.

O coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva José Artur Lopes de Albuquerque alerta que no calor o coração trabalha mais para regular a temperatura do corpo e pessoas com hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca ou histórico de infarto devem redobrar os cuidados.
Albuquerque chama a atenção para o fato de que no calor, o coração precisa trabalhar mais para regular a temperatura do corpo. “Pessoas com hipertensão, arritmias, insuficiência cardíaca ou histórico de infarto devem evitar exercícios nos horários mais quentes do dia; manter boa hidratação; reduzir a intensidade do esforço e não ignorar sintomas como tontura, falta de ar, dor no peito ou palpitações. Em caso de dúvida, o ideal é conversar com o médico antes de iniciar ou manter a atividade física”, reforça ele.
Pessoas idosas também devem redobrar os cuidados. “Os idosos sentem menos sede e têm maior dificuldade para regular a temperatura corporal. Então, para prevenir complicações graves relacionadas ao calor, é importante beber água regularmente, evitar exposição ao sol intenso, usar roupas e proteção solar adequadas. É mais recomendável atividades leves em horários mais frescos. E ter atenção especial com medicamentos para pressão, coração ou diuréticos, que não devem ter o uso interrompido sem conhecimento do médico”, salienta.
“A recomendação para todas as pessoas é evitar atividades ao ar livre nos horários de maior sol, geralmente entre 10h e 16h, em dias de calor extremo. A forma segura de praticar atividades físicas nestas condições é preferir exercícios no início da manhã ou à noite, buscar locais de sombra ou ambientes climatizados e optar por atividades mais leves”, orienta Albuquerque.
Para quem trabalha ao ar livre e não tem como evitar a exposição ao sol, a dica é hidratar-se frequentemente, mesmo sem sentir sede; usar roupas leves, claras, chapéu ou boné; aplicar protetor solar regularmente; fazer pausas em locais sombreados sempre que possível e ficar atento a sinais de alerta como tontura, náusea, dor de cabeça ou fraqueza. “Ao perceber qualquer sintoma, é importante interromper a atividade e buscar ajuda especializada”, alerta o médico.
Risco maior de lesões
Além dos efeitos do calor, a prática de esportes no verão, como corrida, caminhadas na praia e trilhas, impõe maior sobrecarga à musculatura dos pés e das pernas. A coordenadora do nosso serviço de Fisioterapia, Adriana Melo, explica que terrenos como areia e trilhas exigem mais dos músculos estabilizadores. “Os principais riscos são distensões musculares, principalmente em panturrilhas e posteriores de coxa, fascite plantar, que é uma inflamação que acontece na sola do pé por impacto ou sobrecarga, a tendinite nos tendões de Aquiles, causada pelo excesso de movimento sem um período de adaptação, e as entorses, principalmente nas superfícies instáveis”.

Adriana Melo, coordenadora do nosso serviço de Fisioterapia: “a prática de esportes no verão, como corrida, caminhadas na praia e trilhas, impõe maior sobrecarga à musculatura dos pés e das pernas. Para se prevenir, a dica é fazer alongamentos leves e aquecimento articular antes do treino; iniciar a corrida ou caminhada com curtos períodos na areia fofa ou trilha, aumentando o tempo gradualmente; usar calçados adequados e manter boa hidratação”.
Para evitar esses problemas, a dica é fazer alongamentos leves e aquecimento articular antes do treino; iniciar a corrida ou caminhada com curtos períodos na areia fofa ou trilha, aumentando o tempo gradualmente; usar calçados adequados e manter boa hidratação. “É indicado também alternar os dias de treino para evitar a sobrecarga com descanso ativo e fortalecimento”, acrescenta ela. No pós-treino, a orientação é fazer alongamentos leves. Nossa especialista também recomenda o uso de roupas respiráveis.
De acordo com Adriana, os erros mais comuns ao correr ou caminhar na praia são treinar direto na areia fofa, o que pode aumentar o esforço e o risco de lesão no tornozelo e no joelho; andar muito inclinado em trechos da praia com desnível, o que pode sobrecarregar não só as pernas, mas também a região baixa da coluna, a coluna lombar; não respeitar o horário e fazer esse tipo de caminhada ou corrida debaixo do sol forte, o que pode causar desidratação e também levar à fadiga precoce. “Outro ponto que merece atenção é a falta de um calçado próprio ou o uso de calçado inadequado, que gera impacto direto sobre as articulações, principalmente as dos pés, podendo causar microlesões. A orientação é dar preferência à areia mais firme, próxima à água, para que a pessoa possa se refrescar e se molhar também, além de usar um tênis leve ou algum calçado com boa absorção de impacto. Pés descalços só são seguros para caminhadas curtas e ocasionais em pessoas já adaptadas e sem histórico de lesão”.
Com informação, planejamento e atenção aos limites do corpo, é possível aproveitar os benefícios da atividade física no verão sem colocar a saúde em risco.

