Problemas cardiovasculares são as doenças não transmissíveis mais comuns em todo o mundo, de acordo com a Federação Mundial do Coração. Aqui no nosso hospital, esse quadro se repete, de acordo com o coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva, Felipe Cosentino. “Entre os quadros mais frequentes estão a hipertensão arterial e as doenças relacionadas ao entupimento das artérias, como a doença coronariana, que podem levar a infarto e AVC. Também são comuns casos de insuficiência cardíaca, arritmias, especialmente a fibrilação atrial, além de doenças das válvulas do coração, mais prevalentes em pacientes idosos”, afirma. Ele acrescenta que muitas dessas condições estão associadas ao diabetes, à obesidade e à doença renal, o que aumenta o risco cardiovascular.

O cardiologista Felipe Cosentino, coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva, destaca a importância de informações claras, acompanhamento regular e tratamentos mais simples que facilitam o dia a dia do paciente: “quando o paciente entende sua condição e percebe os riscos, tende a seguir melhor o tratamento”
Para melhorar o controle da hipertensão e do risco cardiovascular e contribuir para a prevenção de infartos e AVCs, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) acaba de lançar o novo ‘Marco de Qualidade do HEARTS’, um guia prático voltado a profissionais de saúde. Cosentino explica que o documento traz padronização do tratamento: “o guia orienta como medir corretamente a pressão, como iniciar e ajustar o tratamento e como acompanhar os pacientes ao longo do tempo. Isso reduz erros de diagnóstico, evita atrasos no ajuste das medicações e melhora o controle da hipertensão de forma mais organizada e eficiente. São ações simples, que fortalecem a continuidade do cuidado e que podem ser aplicadas no ambiente hospitalar”, ressalta.
Desafios
Um dos obstáculos enfrentados no tratamento das doenças cardiovasculares está relacionado à adesão dos pacientes às orientações médicas. “Quando o paciente entende sua condição e percebe os riscos, tende a seguir melhor o tratamento. Já doenças silenciosas, como a hipertensão, costumam ter menor adesão justamente por não apresentarem sintomas”, adverte o cardiologista. Para mudar esse cenário, o médico destaca a importância de orientações claras, acompanhamento regular e tratamentos mais simples, que facilitam o dia a dia do paciente.
Cosentino alerta para a importância do monitoramento da pressão fora do consultório. “Algumas pessoas têm pressão alta só no médico, enquanto outras aparentam normalidade na consulta, mas têm pressão elevada no dia a dia. O monitoramento em casa ou por aparelhos de 24 horas permite diagnóstico mais preciso e acompanhamento mais confiável”, destaca. Além do controle da pressão arterial, ele destaca ainda algumas medidas preventivas que ajudam a reduzir o risco cardiovascular, como não fumar, manter atividade física regular e alimentação equilibrada, controlar o peso e realizar o check up periódico. Tratar corretamente diabetes e colesterol alto quando presentes também é fundamental.
A orientação do nosso médico para quem mede a pressão em casa é usar aparelho de braço, que seja validado pelo Inmetro. A pessoa deve estar sentada, sem as pernas cruzadas e em repouso. “É importante evitar café e cigarro antes da aferição. Faça medições pela manhã e à noite e não deixe de anotar os resultados. Esses registros ajudam o médico a avaliar melhor o controle da pressão arterial”, ensina.

