José Artur Lopes de Albuquerque, coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva: “Mulheres e pessoas idosas podem ter sintomas menos típicos do infarto agudo do miocáridio, como fadiga intensa, tontura, dor nas costas ou no estômago. Por isso, é fundamental manter alto grau de suspeição e procurar atendimento diante de qualquer sintoma incomum”.

Ele pode acontecer em situações de estresse intenso, esforço físico súbito em pessoas sedentárias, emoções muito fortes, ser provocado por crises hipertensivas ou ainda surgir em decorrência do uso de drogas estimulantes. Pode ou não vir com dor que sirva de alerta e atinge principalmente quem tem placas de gordura nas artérias. Muitas vezes silencioso, o infarto agudo do miocárdio é a principal causa de morte no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares são responsáveis por cerca de 17,9 milhões de mortes por ano no planeta — aproximadamente 32% de todos os óbitos globais. No Brasil, o quadro é igualmente grave: dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) mostram que uma pessoa morre de doença cardiovascular a cada 90 segundos no país. E aqui vai um alerta ao público feminino: a SBC detectou um crescimento dos casos entre mulheres de 18 a 55 anos e recomendou a elas mais atenção aos cuidados de prevenção, diagnóstico e tratamento.

Coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva, José Artur Lopes de Albuquerque alerta que há estudos que revelam que o infarto é mais frequente nas primeiras horas da manhã. “É o momento em que há aumento natural da pressão arterial, da frequência cardíaca e da liberação de hormônios do estresse. Em relação à época do ano, o inverno costuma registrar mais casos, possivelmente devido à contração dos vasos sanguíneos causada pelo frio e ao aumento da pressão arterial”, explica o cardiologista. Mesmo indivíduos considerados saudáveis podem sofrer um ataque cardíaco: algumas pessoas têm fatores de risco silenciosos, como colesterol alto, hipertensão ou predisposição genética, sem saber. “Também existem casos raros relacionados a alterações congênitas das artérias coronárias ou inflamações. Histórico familiar de infarto precoce aumenta o risco. A genética pode influenciar na formação precoce de placas nas artérias e na tendência a arritmias”, acrescenta.

Sinais

Sintomas como a dor ou pressão no peito que dura mais de 10 a 15 minutos, dor que irradia para braço, mandíbula ou costas, falta de ar, suor frio, náuseas ou mal-estar intenso devem acender o alerta para o problema e indicam que é hora de buscar ajuda médica imediatamente. “Mulheres e pessoas idosas podem ter sintomas menos típicos, como fadiga intensa, tontura, dor nas costas ou no estômago. Por isso, é fundamental manter alto grau de suspeição e procurar atendimento diante de qualquer sintoma incomum”, frisa ele.

Uma das formas mais graves do evento é o chamado infarto fulminante, que evolui rapidamente e leva à parada cardíaca súbita poucos minutos após o início dos sintomas, muitas vezes sem tempo hábil para socorro. “Isso acontece principalmente quando ocorre uma arritmia que interrompe os batimentos do coração. Sem atendimento imediato e desfibrilação precoce, que é o choque realizado por aparelhos especializados chamados de DEA e que devem estar disponíveis em locais de grande movimentação, as chances de sobrevivência diminuem drasticamente”, afirma o especialista. No caso do infarto clássico, o paciente costuma ter dor persistente no peito, o que permite que procure um pronto-atendimento. “A rapidez no atendimento é fundamental para a recuperação do paciente e é o que vai determinar a extensão da área do coração afetada e o controle adequado dos fatores de risco após o evento”, explica Albuquerque.

A fase inicial de recuperação leva algumas semanas e a cicatrização do músculo cardíaco ocorre ao longo de cerca de 2 a 3 meses, podendo variar conforme a gravidade. “Com tratamento adequado, reabilitação cardíaca e mudanças no estilo de vida, os pacientes conseguem retornar às suas atividades habituais com qualidade de vida, mas, dependendo de qual área do coração for afetada, alguns pacientes podem desenvolver insuficiência cardíaca, redução da capacidade física ou arritmias”.

O especialista adverte que quem já infartou tem risco aumentado de sofrer outro: “o infarto indica que existe doença nas artérias coronárias, que pode evoluir se não houver tratamento e controle rigoroso dos fatores de risco. E esse novo infarto pode ocorrer dias, meses ou anos depois. O risco é maior no primeiro ano, especialmente nos primeiros meses.” Para prevenir um novo episódio, Albuquerque recomenda parar de fumar, controlar a pressão, o diabetes e o colesterol, manter alimentação equilibrada, praticar atividade física orientada, tomar corretamente as medicações prescritas e reduzir o estresse.

Para manter a saúde do seu coração em dia, a orientação é realizar avaliações regulares com seu clínico ou cardiologista semestralmente ou anualmente conforme fatores de risco preexistentes.