Com Danilo Klein, nutrólogo
Fast food e pandemia. O novo coronavírus fez crescer as vendas pela internet, causando uma forte alta no delivery, especialmente no setor de alimentação. Junto a essa tendência vem a preocupação da população estar a cada dia mais distante de uma alimentação saudável. A constatação está expressa nos números da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do IBGE, realizada no período de 2018/2019 e divulgada na segunda quinzena de agosto. Considerados mocinhos da boa dieta, as frutas, verduras e legumes estão numa escala decrescente de consumo na série histórica que começa em 2008. Esses itens estão sendo substituídos por sanduíches e refeições rápidas, especialmente pela população mais jovem, de acordo com o estudo. No entanto, o arroz e o feijão acompanhados por alguma proteína animal ainda é o prato mais comum na mesa do brasileiro, apesar de também estarem em uma tendência de queda.
Em comparação com a pesquisa anterior do Instituto, em 2008/2009, o consumo de arroz caiu de 82,7% para 72,9%. Já o feijão a queda foi de 72,1% para 59,7% e a de carne bovina de 43,8% para 34,6%. A preferência por frutas também despencou nos últimos anos, de 45,4% para 37,4%. Por outro lado, os sanduíches e pizzas caíram no gosto dos consumidores, registrando uma alta de 10,5% para 17%.
O Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda evitar os produtos ultraprocessados, como as batatas fritas prontas, macarrão e temperos instantâneos e refrigerantes, por acumularem um quinto das calorias consumidas. Pela pesquisa do IBGE, a maior frequência de uso desses produtos está entre adolescentes (26,7%), acompanhados pelos adultos (19,5%) e idosos (15,1%).
O nutrólogo do Hospital Badim, Danilo Klein, frisa que os fast-foods são excessivamente calóricos e possuem alto teor de gordura, que na maioria das vezes são saturadas. “Por isso que podem levar à obesidade”, afirma o especialista. Klein destaca outro motivo para esse tipo de alimento ser evitado: “Esses produtos são pobres em micronutrientes, como vitaminas e minerais, que por sua vez são encontrados em grandes quantidades em frutas, legumes e verduras.”
As pessoas que optam pelos ultraprocessados em detrimento aos alimentos básicos, não conseguem alcançar uma dieta equilibrada, essencial para o bom funcionamento do organismo humano, ainda de acordo com o nutrólogo. “As consequências podem chegar por meio de problemas como excesso de peso, aumento de inflamação no organismo e baixo índice de vitaminas antioxidantes no corpo”, diz o médico.
Para os trabalhadores que precisam fazer as suas refeições fora de casa, manter uma dieta equilibrada é um grande desafio. A solução pode estar na tradicional marmita. “Por sinal, está na moda as pessoas levarem as suas refeições prontas de casa para o ambiente de trabalho. Assim, podem desfrutar de uma diversidade de alimentos, aqueles in natura, inclusive, que oferecem uma série de benefícios para a saúde”, destaca o nutrólogo do Hospital Badim.

