Pequenos descuidos podem ter grande impacto quando o assunto é o controle da hipertensão arterial. A condição crônica que atinge milhões de brasileiros ainda é cercada por descuidos no dia a dia que comprometem diretamente o tratamento da doença, como a adesão irregular aos remédios. “A hipertensão exige regularidade no tratamento. Esquecer medicações, variar horários ou não seguir orientações pode levar a oscilações da pressão arterial, reduzindo a eficácia do tratamento e aumentando o risco cardiovascular ao longo do tempo”, alerta o nosso cardiologista, Felipe Cosentino, coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), apontam que cerca de 30% da população adulta no país é hipertensa.
Outro fator que tem forte influência no controle da hipertensão é o estresse. A rotina acelerada e a pressão cotidiana impactam diretamente o organismo. “O estresse ativa mecanismos neurológicos e hormonais, como a liberação de adrenalina e cortisol, que elevam a pressão arterial. Esse efeito pode ‘contrabalançar’ a ação dos medicamentos”, afirma Cosentino. Além disso, o estresse costuma vir acompanhado de outros hábitos prejudiciais, como alimentação inadequada.

O cardiologista Felipe Cosentino, coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva destaca a importância do sono de qualidade para o controle da pressão arterial: “dormir mal mantém o organismo em estado de alerta, com maior liberação de hormônios que elevam a pressão, dificultando o efeito dos medicamentos”.

No prato, o perigo vai além do saleiro tradicional. Embora o excesso de sódio continue no topo da lista de vilões da saúde cardiovascular, os alimentos ultraprocessados merecem atenção especial. De acordo com o especialista, esses produtos possuem alto teor de sódio, gorduras e aditivos. “Eles não apenas elevam a pressão, como podem dificultar a resposta ao tratamento medicamentoso, contribuindo para um estado inflamatório e metabólico desfavorável”, afirma. O consumo de álcool e o excesso de cafeína também entram na lista de substâncias que reduzem a eficácia dos remédios e exigem moderação individualizada. Ele adverte ainda que a cafeína pode causar aumentos transitórios, principalmente em pessoas mais sensíveis.

O sedentarismo é outro ponto crítico. “A falta de exercício contribui para a resistência ao tratamento, favorece o ganho de peso, piora o metabolismo e aumenta a rigidez dos vasos. A atividade física regular potencializa o efeito dos medicamentos”, observa o médico. No entanto, é importante que esta prática seja orientada: “Exercícios intensos, iniciados de forma abrupta, podem provocar elevação excessiva da pressão, especialmente em quem não está controlado”, frisa.

A qualidade do sono também merece atenção. “Dormir mal mantém o organismo em estado de alerta, com maior liberação de hormônios que elevam a pressão, dificultando o efeito dos medicamentos. Distúrbios do sono, como insônia ou apneia, estão associados a um pior controle da pressão arterial”, explica. Além disso, o uso de outros medicamentos sem orientação pode interferir no tratamento da hipertensão. Anti-inflamatórios, descongestionantes nasais e alguns corticoides estão entre os principais exemplos. “Esses medicamentos podem elevar a pressão ou reduzir o efeito dos anti-hipertensivos. Por isso, é fundamental informar ao médico tudo o que está sendo utilizado”, orienta.

Mesmo quando a pressão arterial parece controlada, interromper o tratamento por conta própria é um risco. “É um erro comum e potencialmente perigoso, pois aumenta o risco de infarto e AVC. O controle da pressão ocorre justamente por causa da medicação e o acompanhamento médico regular é fundamental. O médico avalia a eficácia do tratamento, ajusta doses, monitora efeitos colaterais e identifica precocemente possíveis complicações. A hipertensão é frequentemente silenciosa e o controle adequado exige vigilância contínua”, ressalta.

A aferição regular da pressão arterial é uma das medidas que contribui para o melhor controle da doença. Cosentino destaca os seis erros mais comuns de quem afere a pressão arterial em casa. “são fatores que podem gerar resultados imprecisos e levar a interpretações equivocadas”:

• Medir logo após esforço físico ou estresse;
• Não descansar antes da aferição;
• Falar durante a medida;
• Usar aparelho inadequado ou mal calibrado;
• Posicionar incorretamente o braço (fora da altura do coração).