Quem cruza com o fundador do nosso hospital, Dr. José Badim, pelos corredores não imagina, à primeira vista, que a história de vida daquele senhor de passos firmes e aperto de mão forte e acolhedor se mistura com a evolução da Medicina no Brasil. Afinal, são mais de sete décadas dedicadas a salvar vidas e com o mesmo entusiasmo de sempre. Ele, que continua atendendo em seu consultório – e fazendo cirurgias junto com sua equipe -, conta que fica feliz em ter a oportunidade de cuidar dos pacientes que o procuram e gosta ver o hospital cheio de pessoas que confiam no trabalho ali desenvolvido. “Ver um paciente que me procura e me deu a chance de curá-lo, isso para mim é o mais emocionante: ser escolhido”, confessa. E ao circular pelo hospital, ele recebe carinho em troca do cuidado que prestou ao longo de sua carreira. “Algumas pessoas me abordam, agradecem e me abraçam. E é um dos abraços mais gostosos que tenho na memória”, relata.
Para celebrar o Dia do Hospital, comemorado em 2 de julho, mergulhamos nas memórias desse médico dedicado e obstinado, com uma vida repleta de realizações para resgatar ‘causos’ inusitados, desafios do início e a essência de uma vida dedicada à saúde.

O fundador do nosso hospital, Dr. José Badim, se emociona com o carinho dos pacientes: “Algumas pessoas me abordam, agradecem e me abraçam. E é um dos abraços mais gostosos que tenho na memória”.
A história do Hospital Badim começou a ser desenhada no início da década de 70, com a criação de outra instituição, o Hospital Sírio Libanês, o primeiro fundado pelo Dr. José Badim. Muito antes das redes sociais e do marketing digital, o crescimento do hospital dependeu de pura inovação e apoio comunitário. Com a ajuda da colônia árabe local e de parceiros como o amigo Demétrio Habib, o Dr. Badim criou uma espécie de plano de saúde próprio. Ele vendeu centenas de títulos para os moradores da região, garantindo descontos pela metade em consultas e cirurgias. A ideia não só financiou os primeiros passos da instituição, mas criou um forte laço com a vizinhança que dura até hoje.
Pioneiro em muitas situações, José Badim foi o primeiro cirurgião a realizar um reimplante de mão no país e também um reimplante de couro cabeludo e não poupou esforços para garantir que o novo hospital contasse com equipamentos de ponta. “Eu sempre pretendia melhorar em tudo. Tanto na cirurgia, como no hospital, como no atendimento, sempre procurei atender e dar o melhor que eu podia”, afirma. Seu grande desejo de passar adiante o conhecimento e contribuir para a formação de novos médicos está concretizado em diversos programas de residência médica desenvolvidos no hospital: “Eu aprendi com os outros e ensinei. O conhecimento tem que circular. Temos residência médica nas áreas de Cirurgias Geral, de Torácica e Cardiovascular e em Clínica Médica. É uma satisfação enorme ter esses jovens médicos no hospital. Converso muito com eles, conto histórias da Medicina, porque eu assisti a essa história. E eles ficam maravilhados e surpresos”, diz orgulhoso. E quando ele diz que assistiu a história, não está exagerando: “eu vi a evolução da Medicina no Brasil. Na área da anestesia, por exemplo, antigamente, não havia aquela bolsa para fazer a ventilação no paciente. Nós usávamos bexiga de boi. Eu fui um dos primeiros médicos a intubar o paciente para poder fazer uma anestesia geral. Então, posso dizer, foi uma vida e tanto”.
Com tantas realizações, Dr. Badim se emociona ao recordar da postagem datada de 2019, de um ex-colaborador nas redes sociais: “Posso afirmar sem medo de errar que naquele lugar vivi os melhores momentos da minha vida profissional. Ali trabalham profissionais sérios, dedicados, que trabalham por amor e visam um trabalho humanizado. Sim. Para quem não conhece esse senhor da foto, deixe-me vos apresentar, chama-se José Badim, o primeiro cirurgião a realizar um implante de mão no Brasil e também o primeiro a realizar um implante de couro cabeludo. José Badim é o dono do hospital ao qual carrega seu sobrenome ou melhor, carrega toda uma história de vida, pois dos seus 89 anos de idade (hoje ele está com 95 anos), 60 foram dedicados a salvar vidas. Convivi com esse senhor por alguns anos da minha vida enquanto trabalhei no Hospital Badim e nunca me esquecerei da humildade e carisma desse médico para com seus funcionários e pacientes. Um senhor que mesmo com seus 89 anos nunca deixa de comparecer diariamente ao hospital para fazer aquilo que mais ama: exercer a medicina. Nunca me esquecerei do dia em que eu estava na fila do refeitório na hora do almoço e o Dr. Badim pegou sua bandeja e entrou na fila. E por se tratar de um senhor de idade, cedi o meu lugar para o mesmo, foi quando ouvi dele as seguintes palavras: ‘Meu filho, sou tão funcionário quanto todos vocês, não é justo passar na frente de ninguém, vou aguardar a minha vez.’ Exemplo de humildade, exemplo de ser humano”.
A mensagem do fundador não poderia ser mais clara: “o Badim não é feito de paredes ou de um sobrenome famoso, mas sim do esforço diário de cada enfermeiro, técnico, recepcionista e médico que veste essa camisa. É essa união de forças e o carinho trocado nos corredores que mantêm viva a missão de acolher”. Afinal, como o próprio doutor José Badim costuma dizer ao receber um agradecimento caloroso na rua, “não há remédio melhor na Medicina do que um abraço sincero”.

