Ser jovem normalmente significa ter menos chances de enfrentar problemas cardiovasculares. Mas essa proteção não vale quando a pressão alta é grave e difícil de controlar. Um levantamento apresentado no Congresso de 2026 da European Society of Hypertension mostrou que pessoas com menos de 40 anos e hipertensão resistente podem ter taxas de AVC, infarto e insuficiência cardíaca próximas às observadas em pessoas com mais de 60 anos, dado considerado impactante pelo cardiologista Felipe Cosentino, coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva. “Ele mostra que, quando a pressão permanece alta por muito tempo, o risco cardiovascular pode aparecer muito antes do esperado”.

O chefe da nossa Unidade Cardiointensiva, Felipe Cosentino, chama a atenção para um dos grandes desafios da hipertensão, que costuma evoluir de forma silenciosa: “enquanto o paciente se sente perfeitamente saudável, podem estar acontecendo alterações progressivas no coração, nos rins, nos vasos e no cérebro”.

Isso acontece porque a pressão elevada força os vasos sanguíneos e sobrecarrega órgãos importantes, como coração, cérebro e rins. Com o passar dos anos, esse esforço contínuo pode favorecer o endurecimento das artérias, alterações no coração, problemas nos rins e o desenvolvimento de placas de gordura nos vasos. Ou seja, a idade sozinha não deve ser vista como uma proteção. “Um paciente de 35 ou 40 anos com hipertensão resistente pode ter um risco cardiovascular muito maior do que seria esperado para a sua faixa etária”, alerta o especialista.

Afinal, o que é hipertensão resistente?

É quando a pressão continua alta mesmo com o uso correto de três tipos de medicamentos, incluindo um diurético. Também entram nessa definição as pessoas que precisam de quatro ou mais remédios para manter a pressão sob controle. Mas o nosso cardiologista adverte que antes de dizer que alguém tem hipertensão resistente, é preciso ter certeza de qual é o problema pois, às vezes, a pressão difícil de controlar pode ser decorrência de medição incorreta, do chamado ‘efeito do avental branco’, quando a pressão se eleva pelo simples fato do paciente estar no consultório, ou até o esquecimento de doses dos medicamentos.

Para saber ao certo o que está ocorrendo, o especialista recomenda exames como a Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) de 24 horas e a aferição da pressão arterial em casa. “Um paciente pode apresentar pressão elevada repetidamente no consultório e valores adequados fora dele”, aponta ele. 

Pressão alta em jovens merece investigação

Quando a hipertensão é muito intensa ou difícil de controlar em uma pessoa jovem, também é importante investigar se existe alguma outra condição por trás do problema. Entre as possíveis causas estão alterações nos rins e nas artérias que levam sangue a esses órgãos, problemas hormonais e apneia do sono. Em mulheres mais jovens, por exemplo, o médico chama atenção para uma alteração chamada displasia fibromuscular, que pode afetar as artérias renais. “Outro ponto fundamental é investigar substâncias que aumentem a pressão: anti-inflamatórios, corticoides, alguns descongestionantes e estimulantes, anticoncepcionais em determinadas situações e drogas recreativas, entre outras”, recomenda.

Cosentino destaca que um dos grandes desafios da hipertensão é que ela costuma evoluir de forma silenciosa e a pessoa pode se sentir bem e, ainda assim, estar sofrendo os efeitos da pressão alta. “Enquanto o paciente se sente perfeitamente saudável, podem estar acontecendo alterações progressivas no coração, nos rins, nos vasos e no cérebro”, afirma Cosentino. 

Em pacientes mais jovens, isso representa risco ainda maior, porque quanto mais cedo a hipertensão aparece, maior pode ser o tempo de exposição do organismo à pressão elevada. “Uma pessoa que desenvolve hipertensão aos 25 ou 30 anos pode permanecer décadas submetida a esse estresse vascular. Por isso, diagnosticar e controlar a pressão precocemente pode modificar de maneira importante o risco cardiovascular acumulado ao longo da vida”, orienta. 

O especialista salienta que controlar a hipertensão vai além de tomar comprimidos. A adoção de hábitos saudáveis é parte indispensável do tratamento. “Reduzir o consumo de sal, controlar o peso, praticar atividade física regularmente, manter alimentação adequada e moderar o consumo de álcool contribuem diretamente para reduzir a pressão e também podem melhorar a resposta aos medicamentos. As recomendações para hipertensão resistente enfatizam justamente a necessidade de otimizar intervenções no estilo de vida e confirmar a adesão antes de intensificar o uso de medicamentos”, diz ele. “Medir a pressão é simples, rápido e pode identificar uma doença muitos anos antes de ela se manifestar como AVC, infarto ou insuficiência cardíaca”, orienta o coordenador da nossa Unidade Cardiointensiva. 

Aqui no Hospital Badim, contamos com toda a estrutura para diagnóstico e tratamento de doenças cardiovasculares. Marque sua consulta ou exame através do WhatsApp (21) 3978-6414.