Quem pensa que os benefícios da atividade física se resumem ao fortalecimento dos músculos ou ao emagrecimento está deixando de lado um dos órgãos que mais ganham com o movimento: o cérebro. Cada vez mais estudos mostram que se exercitar regularmente ajuda a proteger a memória, melhora o humor, estimula a formação de novas conexões entre os neurônios e pode até retardar a evolução de doenças como Alzheimer e Parkinson. De acordo com o nosso neurologista Yuri Macedo, o exercício promove uma verdadeira reforma no cérebro ao estimular mecanismos de reparo e adaptação conhecidos como neuroplasticidade, que é a capacidade que o sistema nervoso tem de reorganizar suas conexões ao longo da vida. “O benefício da atividade física não se restringe ao fortalecimento dos músculos, a saúde óssea e a proteção contra doenças cardiovasculares. Ele é muito importante para a prevenção de doenças cerebrovasculares, cujos fatores de risco são muito semelhantes ao das doenças cardiovasculares”, salienta o médico.

Nosso neurologista, Yuri Macedo que o benefício da atividade física vai além do fortalecimento dos músculos, da saúde óssea e da proteção contra doenças cardiovasculares. “Ele é muito importante para a prevenção de doenças cerebrovasculares, cujos fatores de risco são muito semelhantes ao das doenças cardiovasculares”.
“Muita gente imagina que a proteção de doenças demenciais venha de trabalhos intelectuais, como palavras cruzadas e jogos de estímulo à linguagem ou outros aspectos da cognição. Mas hoje já se sabe que um dos principais fatores de proteção para síndromes demenciais é a atividade física. Ela é indicada não só para proteção contra a demência, mas também para pacientes que estão em processo degenerativo por conta de condições como doenças de Alzheimer e Parkinson, em casos de esclerose múltipla e até para as doenças inflamatórias do cérebro, como as ginegizantes”, garante o nosso especialista. Mas ele reforça que os benefícios só virão com a prática regular da atividade física. Macedo reforça que é muito positivo para a memória associar as atividades intelectual e física a um estilo de vida saudável, envolvendo alimentação e socialização.
De acordo com o nosso neurologista, há cerca de dez anos pesquisas apontam diversas vantagens do exercício físico para o cérebro. “Já sabemos que a atividade física pode aumentar algumas estruturas fundamentais para a nossa memória, como é o caso dos hipocampos. Os hipocampos são pequenas estruturas localizadas nos nossos lobos temporais que são consideradas uma área primária da memória, onde encontra-se toda a nossa memória, mas é uma região muito importante para a nossa memória funcionar. E o exercício físico melhora o desenvolvimento dessa área e também de outras, como os núcleos da base, o córtex cerebral e o cerebelo. A prática também está relacionada a uma série de consequências na organização do nosso cérebro que envolve a arborização dos neurônios, que vão fazer mais comunicações com as células vizinhas. Então, tudo isso vai fazer com que exista um disparo para uma melhor estruturação cerebral a partir da atividade física”, explica. De acordo com o médico, isso explica por que pessoas que fazem tratamento para depressão e ansiedade melhoram com a atividade física. “Com a atividade física, ocorre a produção de neurotransmissores que vão estar relacionados ao bem-estar, como endorfinas, como serotonina. E isso ajuda muito na melhora do humor, da ansiedade, da disposição também. Então, não só vai haver mudanças ali na parte estrutural, a gente pode ver de uma maneira mais rápida uma relação grande com a sensação de bem-estar”, diz Macedo.
Nosso neurologista diz que há um estudo sendo feito nos Estados Unidos sobre a relação da atividade física com a evolução da memória em idosos. Tido como um programa de fitness cerebral, a pesquisa envolve pacientes não só com demência, com perda de memória, mas também pessoas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e pacientes com síndrome pós-trauma crânioencefálico. Os resultados apontam que de 60 a 90% dos pacientes tiveram um benefício na memória após a intervenção física.
“Os testes que esses pacientes realizaram foram muito positivos, a ponto do pesquisador que comanda esse estudo estar convicto em dizer que, em breve, a doença de Alzheimer e outras doenças degenerativas cerebrais vão ser tratadas da mesma forma como a doença cardiovascular, como na prevenção de um infarto. É interessante pensar que a atividade física junto com a dieta e a socialização permitem um ganho de função desses pacientes que às vezes não se consegue atingir com intervenções farmacológicas”, prevê Macedo.

