As chamadas canetas emagrecedoras mudaram o cenário do tratamento da obesidade nos últimos anos. Medicamentos que atuam sobre hormônios relacionados à saciedade, como os agonistas do receptor de GLP-1, passaram a ocupar espaço importante no combate ao excesso de peso. Mas um estudo recente publicado no JAMA Surgery mostra que, especialmente nos casos de obesidade mais grave, a cirurgia bariátrica e metabólica ainda apresenta vantagens importantes.

Guilherme Cotta, nosso cirurgião geral, do aparelho digestivo e bariátrico, ressalta que a escolha do melhor tratamento contra a obesidade deve ser individualizada e faz um alerta: “a caneta emagrecedora é medicamento e exige prescrição, indicação correta e acompanhamento médico contínuo”.
A pesquisa acompanhou mais de 30 mil pacientes nos Estados Unidos e comparou os resultados de quem passou pela cirurgia com os de pessoas tratadas com os medicamentos. Na análise dos pacientes com dados de perda de peso disponíveis, a redução média foi de 28,3% do peso corporal entre aqueles submetidos à cirurgia, contra 10,3% entre os que utilizaram os medicamentos. O nosso cirurgião geral, do aparelho digestivo e bariátrico, Guilherme Cotta, destaca que embora os resultados do estudo apontem que a cirurgia seja o tratamento mais eficaz, isso não significa que ela seja a melhor escolha para todos os pacientes. “A escolha do tratamento é sempre individualizada e depende do grau de obesidade, das doenças associadas, do risco cirúrgico e da capacidade de adesão de cada paciente. Ou seja, o método mais eficaz na média não é, necessariamente, o mais adequado para cada pessoa”, explica.
Quando a cirurgia é indicada?
A indicação da cirurgia bariátrica não é baseada apenas no desejo de perder peso. O procedimento é considerado uma estratégia terapêutica para a obesidade e suas complicações, especialmente nos casos mais graves. “A cirurgia é classicamente indicada para pacientes com IMC igual ou superior a 40, ou a partir de 35, quando há doenças associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão ou apneia do sono. As medicações antiobesidade tendem a ser a melhor opção nos casos de sobrepeso e obesidade grau I, quando há contraindicação ou risco cirúrgico elevado, quando o tratamento clínico ainda não foi plenamente tentado ou se o paciente não deseja operar. Ambos os tratamentos melhoram as comorbidades. A diferença está na magnitude e na durabilidade do resultado”, pondera Cotta.
O especialista ressalta que a cirurgia bariátrica e metabólica tem benefícios muito bem documentados, como a remissão do diabetes tipo 2. “Há também melhora expressiva da hipertensão, da dislipidemia, da apneia do sono e da esteatose hepática (gordura no fígado), além de redução do risco cardiovascular e de mortalidade a longo prazo. No estudo do JAMA, o grupo operado apresentou taxas menores de hipertensão, apneia, doença coronariana e dislipidemia no seguimento em comparação ao grupo em uso das canetas”, sublinha.
A popularização dos medicamentos para emagrecimento criou a expectativa de que as injeções poderiam tornar a cirurgia obsoleta. Mas Cotta explica que não é bem assim. “São ferramentas de potência diferentes para a mesma doença. As canetas não substituem a cirurgia nos casos de obesidade mais grave, já que a perda de peso obtida é menor e depende do uso contínuo da medicação. Para obesidade graus II e III, a evidência atual indica que a cirurgia permanece mais eficaz e mais duradoura”, afirma. “Quando o paciente usuário da caneta interrompe o tratamento, ele tende a recuperar o peso progressivamente porque a obesidade é uma doença crônica. E há estudos que mostram que de metade a dois terços dos pacientes abandonam o tratamento com as canetas no primeiro ano”, observa nosso especialista.
Cirurgia + caneta
De acordo com o médico, as canetas e a cirurgia podem ser utilizadas de forma complementar. “Essa é uma área em plena expansão. As canetas podem ser usadas antes da cirurgia, para reduzir peso e risco operatório em casos selecionados e, principalmente depois, para tratar reganho de peso ou perda insuficiente”, diz Cotta. Ele alerta para uma prática que tem se tornado cada vez mais comum: o uso das canetas sem orientação médica, com o objetivo de eliminar peso rapidamente. “Isso traz diversos riscos, como doses incorretas, efeitos adversos não acompanhados, doenças associadas que passam despercebidas, interrupção abrupta com reganho rápido de peso e a falsa sensação de problema resolvido sem tratar as causas da obesidade. Caneta emagrecedora é medicamento e exige prescrição, indicação correta e acompanhamento médico contínuo”, adverte.
Independentemente do tratamento escolhido, Cotta orienta que a mudança de hábitos é fundamental para o sucesso do tratamento, seja ele cirúrgico ou não. “A obesidade é uma doença crônica e multifatorial e nenhum tratamento isolado a cura. Nem a cirurgia nem a medicação sustentam resultado sem a adoção de hábitos saudáveis e acompanhamento de uma equipe multiprofissional: nutrição, psicologia, endocrinologia e atividade física. Nós tratamos o metabolismo e o comportamento, não apenas o número da balança”, conclui o médico.
Quer saber mais a respeito? Agende uma consulta com o médico pelo Whatsapp: (21) 3978-6414.

