A pele é a nossa primeira barreira de proteção e merece atenção especial, principalmente quando estamos doentes, internados ou com a mobilidade reduzida. Nesses momentos, uma simples pressão prolongada sobre determinada região do corpo pode causar uma lesão por pressão e, em alguns casos, evoluir para um problema mais sério.

O trabalho preventivo orientado pela Comissão de Cuidados com a pele do nosso hospital alcançou bons resultados e foi premiado no Fórum Latino-americano de Qualidade e Segurança em Saúde, um dos principais eventos sobre o assunto, realizado em São Paulo.

Essas feridas podem surgir quando uma parte do corpo permanece apoiada durante muito tempo sobre uma cama, cadeira ou outra superfície. A pressão contínua dificulta a circulação do sangue na região e pode provocar alterações que começam, muitas vezes, com uma vermelhidão ou mudança na aparência da pele. Se não houver cuidado, a lesão pode se aprofundar e comprometer tecidos mais internos. Mas não é apenas a pressão que pode causar danos. Atrito, umidade, suor, contato prolongado com urina ou fezes, além de alterações na própria condição da pele, também podem favorecer o aparecimento de lesões.

Para evitar o problema, o Hospital Badim está realizando um trabalho preventivo, executado pela Comissão de Cuidados com a Pele (CCP) e pelas nossas equipes de assistência. Fabrício Martins, enfermeiro responsável pela nossa CCP, afirma que as lesões por pressão estão entre os eventos adversos mais incidentes no contexto hospitalar e estão relacionadas ao aumento da morbidade e ao prolongamento da internação, conforme estudos internacionais. “O fortalecimento de uma cultura de prevenção, com auditorias diárias, padronização das notificações das lesões novas e das pré-existentes e um acompanhamento mais estruturado dos casos permitiu aumentar em 214% o período sem ocorrência de lesões por pressão mais graves aqui no hospital”, diz ele.

Para alcançar os resultados positivos obtidos até aqui, Fabrício destaca que a capacitação das equipes é fundamental para a evolução da assistência. “A prevenção acontece no cuidado diário, durante a mobilização do paciente, na avaliação da pele, na utilização de dispositivos, na alimentação, na mudança de decúbito, entre outras situações. Então, precisamos fazer com que esse olhar esteja presente em toda a equipe. Queremos que todos do hospital estejam cada vez mais preparados para reconhecer o risco antes que ele se transforme em uma lesão. Por isso, as capacitações foram direcionadas principalmente para os riscos que identificamos na nossa realidade, trabalhando temas como mobilização precoce, suporte nutricional, manejo seguro de dispositivos e proteção da pele”, enfatiza.

O sucesso da iniciativa foi registrado em um artigo científico que foi premiado no Fórum Latino-americano de Qualidade e Segurança em Saúde, um dos principais eventos sobre o assunto, ocorrido em São Paulo.

Ações preventivas

Mudar regularmente a posição do paciente, manter a pele limpa, seca e hidratada, observar diariamente áreas como costas, calcanhares, cotovelos e quadris e utilizar superfícies e dispositivos adequados são algumas das medidas que ajudam a proteger a pele. A alimentação e a hidratação também têm papel importante na manutenção da saúde e na recuperação dos tecidos.

No ambiente hospitalar, a prevenção é um cuidado que envolve toda a equipe, mas também conta com a participação do paciente e de seus familiares. “Observar uma alteração na pele e comunicá-la aos profissionais de saúde o quanto antes pode fazer toda a diferença”, alerta o enfermeiro.