Muitos homens ainda têm o hábito de procurar um médico apenas quando algum problema de saúde começa a atrapalhar a rotina. O problema é que essa demora pode dificultar o tratamento de doenças que, se descobertas precocemente, apresentam maiores chances de cura ou de controle. De acordo com o nosso urologista, Celso Dantas, atualmente os homens já não têm mais tanta resistência em procurar ajuda médica para tratar problemas de próstata e fazer o toque retal. “Porém quando se trata de disfunção erétil ou ejaculação precoce, o quadro muda e, em geral, os pacientes só chegam ao consultório quando o problema já está instalado há muito tempo, muitas vezes por insistência da companheira”, relata. O mesmo acontece em doenças mais ‘silenciosas’, como infecções sexualmente transmissíveis, pedras nos rins ou aumento da próstata. “A questão é que ao procurar ajuda apenas quando o corpo dá sinais mais evidentes de alerta, há o risco de perder a ‘janela ideal’ para um diagnóstico precoce”, adverte o especialista.
O urologista explica que adiar a consulta pode mudar completamente o desfecho de um tratamento: “por exemplo, o câncer de próstata, quando diagnosticado precocemente, tem mais de 90% de chance de cura. Em casos de dificuldade miccional por conta do crescimento da próstata, iniciar o tratamento mais cedo permite um tratamento conservador, sem precisar recorrer à cirurgia. No caso de litíase renal, as conhecidas pedras nos rins, a demora no tratamento pode levar à necessidade de cirurgias mais complexas e até ao comprometimento da função renal”. Ele cita ainda que, no caso de infecções sexualmente transmissíveis, a demora no tratamento pode causar o agravamento das lesões e aumentar a chance de contaminar os parceiros.
Prevenção vai muito além da próstata
A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) orienta homens a partir dos 50 anos a fazerem o rastreio anual do câncer de próstata com PSA e toque retal. Homens negros ou que tenham histórico familiar de primeiro grau de câncer de próstata ou de mama devem iniciar o rastreio antes, a partir dos 45 anos. Mas, a saúde do homem não se restrige ao exame de próstata.

Nosso urologista, Celso Dantas, deixa uma mensagem aos homens: “nem sempre é possível evitar uma doença, mas cuidar dela no início é sempre mais fácil do que enfrentá-la depois de instalada. Visite seu médico de confiança regularmente e faça exames preventivos pelo menos uma vez por ano”.
Dantas enfatiza que a atenção à saúde masculina deve começar cedo, com a testagem para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) sendo realizada logo no início da vida sexual e mantida periodicamente. Essa frequência precisa ser intensificada em situações de maior exposição, como em casos de múltiplos parceiros sexuais ou uso de drogas injetáveis, utilizando-se de exames de urina, sangue ou cultura de secreções. De maneira complementar, a avaliação do trato urinário e da cavidade abdominal ganha um forte aliado na ultrassonografia abdominal total. “Trata-se de um exame barato, livre de radiação e que, quando realizado anualmente ou a cada dois anos, oferece um panorama completo da maioria dos órgãos abdominais. Por meio dele, é possível identificar cálculos, cistos, tumores e dilatações nos rins, além de tumores e cálculos na bexiga. O ultrassom também permite acompanhar de perto o crescimento da próstata. Para somar a essa investigação, um exame simples de urina (EAS) é capaz de fornecer dados valiosos sobre a presença de infecções urinárias e a funcionalidade geral dos rins”, afirma.
Quando o assunto é a prevenção e o rastreamento de cânceres, o ultrassom também é um excelente ponto de partida, mas o médico irá definir o encaminhamento de cada caso e, por isso, é importante que o paciente mantenha uma rotina de consultas ao menos uma vez ao ano. Na urologia, a estratégia de imagem costuma evoluir progressivamente: “inicia-se pelo ultrassom e, quando necessário, avança-se para a tomografia ou a ressonância magnética. Na análise da urina, os testes podem ir desde a rotina básica até a pesquisa de células neoplásicas. No sangue, a dosagem do PSA é solicitada como ferramenta essencial de rastreio básico para a próstata.
Embora os cânceres de pênis e testículo tenham incidência menos frequente, a saúde genital também exige atenção com a realização de ultrassonografia testicular e o exame físico periódico do pênis e dos testículos. Por fim, o check-up deve ser completado com exames laboratoriais básicos para investigar quadros de anemia e doenças hematológicas, além da checagem dos níveis de glicose e das dosagens dos hormônios sexuais e da tireoide”, conclui o especialista.
Nosso urologista deixa uma mensagem para o público masculino: “nem sempre é possível evitar uma doença, mas cuidar dela no início é sempre mais fácil do que enfrentá-la depois de instalada. Por isso, a recomendação é simples e vale para qualquer idade: visite seu médico de confiança regularmente e faça exames preventivos pelo menos uma vez por ano”.
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