Dor persistente no quadril, principalmente na região da virilha, não deve ser encarada apenas como consequência do esforço físico ou do envelhecimento. Em alguns casos, ela pode ser o primeiro sinal de osteonecrose da cabeça do fêmur, doença provocada pela redução ou interrupção do fluxo de sangue para essa região do osso. Sem a irrigação adequada, as células ósseas morrem e, com a evolução do quadro, a cabeça do fêmur pode perder sua forma, comprometendo também a cartilagem e favorecendo o desenvolvimento de artrose. O problema acomete principalmente homens, com idades entre 30 e 50 anos, e pode atingir os dois quadris.
De acordo com o coordenador do nosso serviço de Ortopedia, Pedro Badim, a dor na virilha é um dos sinais mais característicos da osteonecrose de quadril, mas ela também pode aparecer na lateral do quadril, na região glútea ou irradiar para a coxa e até para o joelho. “O importante é investigar uma dor que persiste, especialmente quando existe algum fator de risco. Quanto mais cedo identificamos a osteonecrose, maiores são as possibilidades de preservar a cabeça do fêmur e evitar a evolução para um quadro mais grave”, explica. Entre os principais fatores de risco estão o uso prolongado de corticoides, o consumo excessivo de álcool, o tabagismo e traumas como fraturas e luxações do quadril. Algumas doenças também estão associadas à osteonecrose, entre elas anemia falciforme, lúpus, alterações da coagulação e outras condições que podem comprometer a circulação sanguínea.

Pedro Badim, coordenador do nosso serviço de Ortopedia, destaca que é importante investigar uma dor que persiste, especialmente quando existe algum fator de risco. “Quanto mais cedo identificamos a osteonecrose, maiores são as possibilidades de preservar a cabeça do fêmur e evitar a evolução para um quadro mais grave”.
O diagnóstico começa pela avaliação clínica e pelo histórico do paciente. A radiografia costuma ser o primeiro exame de imagem, principalmente para identificar alterações estruturais e sinais de colapso da cabeça femoral. “Um dos desafios é que a doença pode estar presente mesmo quando a radiografia ainda não mostra alterações. Por isso, diante de uma história compatível e de fatores de risco, a ressonância magnética pode ser decisiva para confirmar o diagnóstico em uma fase em que ainda podemos discutir tratamentos que preservem o quadril”, destaca o ortopedista.
O tratamento depende principalmente do estágio da doença, do tamanho e da localização da área de necrose, da presença de dor e de alterações na articulação. Nos casos iniciais, podem ser adotadas medidas conservadoras, como redução de atividades de impacto, controle da dor, fisioterapia e uso temporário de muletas ou bengalas quando necessário. “Também é importante identificar e, sempre que possível, controlar os fatores de risco envolvidos. Essas medidas ajudam no controle dos sintomas, mas não necessariamente impedem a progressão da doença”, salienta.
Quando a doença é diagnosticada em fases iniciais, uma das possibilidades cirúrgicas é a descompressão, procedimento que cria canais no osso para aliviar a pressão e favorecer a formação de novos vasos sanguíneos. Dependendo do caso, podem ser associados enxertos ou outras técnicas de preservação da cabeça femoral. Já nos estágios avançados, quando há deformação da cabeça do fêmur e comprometimento importante da cartilagem, a artroplastia total do quadril, que é a implantação de uma prótese, pode ser indicada para aliviar a dor e recuperar a função da articulação. “A osteonecrose não significa necessariamente que o paciente precisará de uma prótese. O objetivo, quando o diagnóstico é feito precocemente e as condições são favoráveis, é justamente avaliar alternativas para preservar a articulação. Por outro lado, quando já existe colapso da cabeça femoral, insistir em tratamentos conservadores pode não ser a melhor estratégia”, adverte.
A orientação do especialista é procurar avaliação médica diante de dor persistente no quadril, especialmente quando há dificuldade para caminhar, apoiar a perna, movimentar a articulação ou realizar atividades simples, como calçar os sapatos. O diagnóstico precoce pode fazer diferença na escolha do tratamento e na preservação da função do quadril.
Se você sofre com esse tipo de problema, marque uma consulta com o nosso especialista pelo telefone 3978-6422.

